Escrito por: Luiz Alberto Reis Neto

CONTAC alerta para impactos de reestruturação da MBRF sobre trabalhadores no Uruguai

A proposta da empresa foi rejeitada por unanimidade pelos trabalhadores

Ilustração
A Federação dos Trabalhadores da Indústria da Carne (FOICA) também criticou a medida

A reestruturação anunciada pela MBRF (Marfrig) no Frigorífico Tacuarembó, no Uruguai, acende um alerta para os trabalhadores do setor de carnes e reforça a necessidade de organização sindical diante de medidas que podem transferir para a classe trabalhadora os custos de decisões empresariais.

Segundo reportagem da Rel UITA, a empresa apresentou ao Ministério do Trabalho e Segurança Social uruguaio uma proposta que prevê a redução de aproximadamente 150 postos de trabalho, além de mudanças nos mecanismos de produtividade, na organização dos turnos e na composição dos salários. Em alguns casos, as alterações salariais apontadas pelo sindicato podem chegar a cerca de 50%.

A proposta foi rejeitada por unanimidade pelos trabalhadores. A Federação dos Trabalhadores da Indústria da Carne (FOICA) também criticou a medida e destacou que a discussão vai muito além do número de trabalhadores atingidos, envolvendo uma transformação mais ampla na organização do trabalho e nas condições de remuneração.

O caso apresenta semelhanças com uma reestruturação anunciada anteriormente pela MBRF no frigorífico Establecimiento Colonia, em Tarariras, onde a empresa também propôs a redução de aproximadamente 150 trabalhadores e mudanças na organização do trabalho e nos sistemas de produtividade. "A mobilização sindical conseguiu impedir, naquele momento, os desligamentos inicialmente previstos e abriu espaço para negociação", destacou o presidente da CONTAC, Josimar Cecchin.

Para a CONTAC-CUT, situações como essa reforçam a importância da negociação coletiva, da defesa dos empregos e da atuação sindical diante de processos de reestruturação.