Trabalho, justiça e soberania: uma escolha que diz respeito ao futuro do Brasil
Precisamos olhar para o presente, mas também pensar no Brasil que queremos entregar às próximas gerações
Publicado: 01 Outubro, 2026 - 10h51 | Última modificação: 01 Outubro, 2026 - 11h02
Escrito por: Josimar Cecchin
Companheiros e companheiras, trabalhadores e trabalhadoras da alimentação!
Desde que assumi a presidência da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação da CUT (CONTAC-CUT), em 2023, tenho procurado cumprir uma tarefa que considero inseparável da representação sindical: defender os direitos dos trabalhadores mas, também, contribuir para que a classe trabalhadora compreenda o momento político e econômico que estamos vivendo.
A nossa luta não acontece apenas dentro das fábricas, nas mesas de negociação ou nas assembleias. A vida do trabalhador também é diretamente influenciada pelas decisões tomadas em Brasília, pelas políticas econômicas, sociais e trabalhistas e pelos rumos que o Brasil escolhe seguir.
Por isso, como presidente da CONTAC, considero fundamental dialogar com os trabalhadores sobre aquilo que está em jogo no Brasil. A política também interfere na vida de quem trabalha. Quem vive do próprio trabalho sabe que salário, emprego, jornada, aposentadoria, educação, saúde e condições de vida não são assuntos abstratos.
Quando existe política de valorização do salário mínimo, isso repercute na vida de milhões de famílias. O salário mínimo nacional passou para R$ 1.621,00 em 2026, mantendo a política de valorização real prevista na legislação.
Quando o trabalhador paga menos Imposto de Renda, sobra mais dinheiro para dentro de casa. Desde 2026, trabalhadores com renda tributável mensal de até R$ 5 mil passaram a ter o imposto devido reduzido a zero, enquanto existe redução parcial para rendimentos superiores dentro da faixa prevista em lei.
Isso é justiça tributária quando significa aliviar a carga sobre quem vive do trabalho e buscar uma tributação mais progressiva.
Fim da escala 6x1: uma luta que precisa avançar! Para nós, trabalhadores da alimentação, essa é uma questão especialmente importante. Não é possível falar em qualidade de vida sem falar em tempo para viver. O trabalhador precisa ter tempo para descansar, estar com sua família, cuidar da saúde, estudar, participar da comunidade e exercer plenamente sua cidadania.
Por isso, a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 estão entre as pautas que considero fundamentais para o movimento sindical brasileiro. O governo federal apresentou em 2026 o PL 1.838/2026, propondo jornada de 40 horas semanais e uma transição negociada por meio de convenções coletivas. O tema também está sendo discutido no Congresso Nacional, inclusive por meio da PEC 221/2019.
Para nós, não se trata simplesmente de trabalhar menos. Trata-se de trabalhar com dignidade, reconhecer que produtividade não pode significar esgotamento do trabalhador.
Educação também é uma política para o futuro da classe trabalhadora! Outro exemplo importante é o Pé-de-Meia, programa federal que oferece incentivo financeiro para estudantes de baixa renda permanecerem e concluírem o ensino médio público. O programa prevê pagamentos vinculados à matrícula, frequência, conclusão das séries e participação no Enem, conforme as regras estabelecidas.
Para nós, isso tem um significado muito maior. Uma criança ou jovem que consegue permanecer na escola tem mais possibilidades de construir um futuro diferente. A luta sindical não pode olhar somente para o contracheque de hoje. Precisamos pensar também no futuro dos nossos filhos, dos nossos netos e das próximas gerações.
O trabalhador precisa participar das decisões sobre o Brasil. Como dirigente sindical, acredito que não podemos permanecer indiferentes diante das escolhas políticas do país. O movimento sindical tem o dever de apresentar suas posições, defender seus interesses e orientar sua base. A CONTAC não pode ser uma entidade silenciosa diante dos grandes debates nacionais.
Desde 2023, temos procurado fazer exatamente isso: fortalecer a organização dos trabalhadores, defender a negociação coletiva, combater a precarização das relações de trabalho e colocar a dignidade humana no centro das nossas ações.
Nossa posição é construída a partir da realidade de quem conhece o campo, a fábrica, a linha de produção e as dificuldades enfrentadas diariamente por quem depende do próprio trabalho para viver.
Justiça social é colocar o trabalhador no centro das decisões
Defender justiça social significa defender emprego de qualidade, salário digno, redução da jornada, saúde e segurança no trabalho, educação pública, aposentadoria digna, igualdade de oportunidades e fortalecimento dos sindicatos e da negociação coletiva.
Significa também defender um Brasil capaz de decidir seu próprio destino.
Soberania nacional não é uma palavra distante da vida do trabalhador
Soberania significa ter capacidade de decidir sobre nossas riquezas, nossa indústria, nossa agricultura, nossos recursos naturais, nossa política econômica e nosso projeto de desenvolvimento sem aceitar que os interesses externos estejam acima dos interesses do povo brasileiro.
Um país soberano precisa valorizar aqueles que produzem sua riqueza. E quem produz a riqueza do Brasil é o seu povo trabalhador.
Uma mensagem da CONTAC aos trabalhadores, companheiros e companheiras, não estamos falando apenas de uma eleição ou de uma disputa entre nomes. Estamos falando de projetos de sociedade.
De um lado, está a necessidade de avançar na construção de um país com mais direitos, mais inclusão social, valorização do trabalho, justiça tributária, educação e melhores condições de vida.
É nesse campo que a CONTAC/CUT, sob nossa responsabilidade, tem colocado sua atuação política e sindical.
Desde que assumimos a direção da Confederação, temos procurado deixar claro que representar os trabalhadores significa também defender um projeto de país que coloque a vida humana acima da exploração e do lucro a qualquer custo.
Por isso, neste momento, reafirmo minha posição política e sindical:
defendo o fortalecimento das políticas públicas que beneficiam os trabalhadores, a valorização do salário, a redução da jornada, o fim da escala 6x1, a justiça tributária, a educação para nossos jovens, o fortalecimento da negociação coletiva e a soberania do Brasil.
A nossa responsabilidade é grande.
Precisamos olhar para o presente, mas também pensar no Brasil que queremos entregar às próximas gerações. Um Brasil onde trabalhar seja motivo de dignidade, e não de sofrimento. Um Brasil onde o trabalhador tenha direito a salário justo, descanso, família, educação e futuro. Um Brasil com democracia, justiça social, soberania e respeito ao povo trabalhador.
Essa é a luta da CONTAC!
Essa é a luta do movimento sindical.
E essa deve continuar sendo a nossa responsabilidade histórica.
Josimar Luiz Cecchin
Presidente da CONTAC/CUT
Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação da CUT