TST debate limites para controle do uso do banheiro durante a jornada de trabalho
O debate reuniu representantes de trabalhadores, empregadores, entidades de diferentes setores e do Ministério Público do Trabalho (MPT)
Publicado: 27 Agosto, 2026 - 07h59 | Última modificação: 27 Agosto, 2026 - 09h28
Escrito por: Luiz Alberto Reis Neto
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) realizou nesta terça-feira, 25/08, uma audiência pública para discutir os limites do controle e da eventual restrição ao uso do banheiro por trabalhadores durante a jornada.
O debate reuniu representantes de trabalhadores, empregadores, entidades de diferentes setores e do Ministério Público do Trabalho (MPT), com o objetivo de fornecer subsídios para o julgamento de uma questão que poderá estabelecer um entendimento aplicável a diversos processos trabalhistas.
Entre os pontos analisados estão as situações em que mecanismos de controle ou limitação do acesso aos sanitários podem ultrapassar os limites da gestão da jornada e representar constrangimento ou violação à dignidade no ambiente de trabalho.
Com base em dados apresentados pela CONTAC, pelos assessores jurídicos da Confederação e FTIA/PR, Dr. Ronaldo Machado e Dr. Vanderlei Sartori, respectivamente, além do Dr. Roberto Ruiz, do Observatório Brasileiro de Saúde e Trabalho no Agronegócio (OBAfro), a defesa da CUT Nacional, através da Dra. Natália Agrello Castilheiro, da LBS Advogadas e Advogados Associados, utilizou trechos da NR-36 como defesa dos trabalhadores.
"O tema possui grande relevância, especialmente para trabalhadores de setores como frigoríficos, agroindústrias e indústrias de alimentos, onde a organização da produção, os ritmos intensos e a necessidade de cumprimento de metas podem gerar situações de pressão sobre os empregados", afirmou o presidente da CONTAC, Josimar Cecchin.
A audiência também permitiu que aspectos médicos e trabalhistas sejam considerados antes da definição do entendimento pelo TST. A preocupação central é garantir que a busca por produtividade não se sobreponha às necessidades fisiológicas e às condições adequadas de saúde e segurança no trabalho.
O debate ocorre no contexto de um julgamento que deverá discutir os limites do poder diretivo do empregador e as condições para eventual controle do uso dos banheiros durante o expediente. A decisão poderá ter impacto significativo nas relações de trabalho e na atuação da Justiça Trabalhista em casos semelhantes.